quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Revolver que ninguém usa não dispara bala.

Olhar de revolver e bala.



Olhar de revolver e bala

Um tiro certeiro no peito

Penetra e crava

Encharca a camisa de um jeito

Engole o fôlego, mata

É sangue escorrendo nos dedos

Na boca que não mais fala

Sorrisos chorando desejo

Vermelho que talha

Suspiros lembrando um beijo

Caindo de sal e água

Que mudam de cor com o tempo

Confudem e cospem mágoas

Assustam, sabem fazer medo

São laminas, navalhas

São olhos que tiram sossego

Luz que não acaba

Me consomem em segredo

Mágia que nunca falha

São teus olhos menina, que vejo

Que choram cura, aquilo que me sara

Olhar de revolver e bala.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Hospicio de dentro.

Loucura é uma necessidade das pessoas
pela loucura que a vida é, no entanto, elas reprimem essa vontade de serem loucas e vivem num estado estóico inconsciente para se mostrarem normais. Por isso elas vão se refugiar na igreja, por exemplo, que é um espaço aceito para extravasar essa vontade: rodar, gritar, enrolar a língua, elevar os braços a um céu de teto branco, conversar em outra língua, chorar; enfim, se livrar do acúmulo de loucura para voltarem ao mundo da razão.


Serei eu, louca por pensar assim? E eu, sou quem ? Igreja ? A minha não tem e nome e se quer tem teto, tem sim um além-teto; um azul com branco. E eu grito de dentro para fora e de fora para dentro, gosto de tentar entender isso de loucura.